quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

das côdeas húmidas

A intriga, a maledicência, a prosápia falada do que não se ousou fazer, o contentamento de cada pobre bicho vestido com a consciência inconsciente da própria alma, a sexualidade sem lavagem, as piadas como cócegas de macaco, a horrorosa ignorância da inimportância do que são... Tudo isto me produz a impressão de um animal monstruoso e reles, feito no involuntário dos sonhos, das côdeas húmidas dos desejos, dos restos trincados das sensações.

(Pessoa, Desassosssego, 62)

L'ombre

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